segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Entre um fim e um (re)começo.

Então é natal…
    "Oi, tudo bem? Feliz natal, feliz natal, feliz natal… feliz natal?
Então… é natal!Nasce aquele que mudou o mundo mostrando que o amor move montanhas, que o ódio, o rancor e a mágoa são venenos que matam aos poucos aqueles que odeiam, mas que não interferem na vida de quem é odiado. Nasce com ele também a esperança de que essas lições de teoria óbvia e prática penosa se tornem verdade no coração de cada um.
     Mas, então… é natal! Dia de estar entre os seus, de dar risadas, lembrar de momentos alegres. Outra teoria óbvia com prática difícil quando os momentos felizes se tornam cada vez mais raros. É aí que a gente lembra que o amor deve mover montanhas, mas não move agora. Deus do céu, como é difícil amar sem ser amado. Que são Francisco me perdoe, mas a única frase da sua oração que parece fazer sentido é “e é morrendo que se vive…” afinal, essa vida parece não ter muito jeito agora.
     Mas, então... É natal! Daqui a poucos dias daremos adeus a 2010 rezando para que ele leve junto todas as lágrimas, as palavras duras e que 2011 traga alegrias, superações e renove laços. Enfim, 2011 renova aquela, que apesar de ser a última a morrer, há muito estava em fase terminal: a esperança. E embora eu não saiba o que esperar não esperar nada traria um vazio ainda maior do que o que já existe. Então: viva a esperança."

Natália Costa, Irmã/amiga/guerreira/suporte/exemplo.


     Eu não vou fazer retrospectiva, talvez não faça pedidos, ou talvez faça, mas não os publique. Minha irmã falou por mim. O que foi esse ano turbulento, duro, difícil? É triste quando os momentos ruins ofuscam o brilho dos felizes. Mas eu tenho uma teoria de que quando a gente chora muito, e o coração aperta, é por que Deus tem algo muito bom guardado pra gente. Deus. É, Deus. Esse ano me aproximou dele, dos seus anjos e de tudo que, com força inexplicável, poderia me proteger. Já que meus esforços humanos e racionalmente explicáveis não estavam sendo suficientes.
     "Deus do céu, como é difícil amar sem ser amado." Como é difícil enxergar a súplica, o pedido de ajuda, a inexperiencia e o desespero dentro dos atos que te machucam. Mas a oração de São Francisco que eu tanto ouvi, sem saber quem falava ou o que falava, diz muito mais do que apenas o final. 

"Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
[...]
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado, "

     Por que, não somos os únicos a estar nas trevas, sempre haverá alguém muito próximo a nós tão perdido quanto. O que fazer? Os outros eu não sei. Meu coração manda em mim. Já admiti isso. E da mesma forma que dói quando machucado, pulsa duplamente quando está feliz. Trazer a felicidade àqueles a nossa volta, assim, pelo simples prazer de fazer a diferença na vida de alguém, é meu alimento, hoje. Amanhã eu não sei.
      Não estamos sozinhos, por mais solitário que seja um Natal entre tantos. Fazendo a diferença entre aqueles que nos encontramos, assim, eles farão 2011 fazer a diferença nas nossas próprias vidas. Da mesma forma que a da minha irmã, minha esperança está viva, como sempre haverá de estar. 2011 vai ser bom. Se não for, nos fará crescer, como fez 2010.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Do que você tem medo?

     Do que você tem medo? Eu tenho medo de carros, filmes de terror e corações partidos. Sobrevivemos com nossos medos e, ao longo das topadas da vida, aprendemos a lidar com eles ou, em alguns casos, fugir deles. Alguns são simples. Meu medo de carros eu supero pela cautela: atravesso na faixa ou no sinal vermelho. E não importa quanto tempo eu demore para atravessar a rua, sou vou fazê-lo quando não tiver nenhum carro a vista. Com os filmes talvez seja ainda mais fácil: não assistir. Não interessa se é de dia e se haverá muitas pessoas ao meu redor. Tenho medo, logo, não assisto. Mas o que fazer com aqueles mais complexos. Aqueles dos quais simplesmente não existem orientações de segurança para serem seguidas ou qualquer tipo de procedimento para evitá-lo? O que fazer com o medo de perder as pessoas que amamos ou de entregar nossos corações as situações gritantemente perigosas? Qual o procedimento padrão para o frio na barriga antes do “não” e pra dor no peito depois do “era tudo mentira” ou do “Desculpa, não deu certo”? Desses a gente não foge, muito menos se esconde. Eles ficam do nosso lado, povoando o lugar na mente que deveria ser da prova de Marketing na segunda-feira ou daquela lembrança boa das gargalhadas com as amigas no domingo. Eles latejam como ferida recém-aberta e resquício de enxaqueca. Fazer sinal na faixa eu sei bem, e curar corações partidos, como faz? 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Alô.

Alô?... Pra quem você ligou?... Não, meu querido. Eu que estou perguntando pra quem você ligou, eu não liguei pra ninguém.... Sim, foi você que me ligou... Não, eu não quero falar com você, se foi você quem ligou, você que deve querer falar comigo... É, eu estou percebendo que você não sabe quem eu sou, você já perguntou o meu nome... Eu não respondi, por que foi você quem ligou, você que tem que se identificar primeiro... É claro que esse telefone é meu, você não sabe pra quem você ligou?...Entendi, você tá confuso. Mas o que tanto te confunde?... Pode me dizer o seu nome então, quem sabe eu possa te ajudar... Não, eu não vou saber quem você só por que você me disse seu nome, mas talvez as coisas comecem a ficar mais claras se você puder falar...
(...)


Continua.
Ou não...

domingo, 28 de novembro de 2010

I don't think that they'd understand.


And I'd give up forever to touch you. Cause I know that you feel me somehow. You're the closest to heaven that I'll ever be, and I don't want to go home right now. And all I can taste is this moment. And all I can breathe is your life. Cause sooner or later it's over, I just don't want to miss you tonight.

And I don't want the world to see me, cause I don't think that they'd understand. When everything's made to be broken, I just want you to know who I am.

And you can't fight the tears that ain't coming, or the moment of truth in your lies.
When everything feels like the movies, yeah you bleed just to know you're alive.

And I don't want the world to see me, cause I don't think that they'd understand. When everything's made to be broken, I just want you to know who I am.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Projete.

A gente tá começando a fazer acontecer.



Éramos uma pá de apocalípiticos, de meros hippies com um falso alarme. Economistas, médicos políticos apenas nos tratavam com escárnio. Nossas visões se revelaram válidas e eles se calaram, mas é tarde. As noites estão ficando meio cálidas e o Mato Grosso em chamas longe arde. O verde em cinzas se converte logo, logo.
É Fogo. É fogo!

Éramos uns poetas, loucos, místicos. Éramos tudo que não era são. Agora são, com dados estatísticos, os cientistas que nos dão razão. De que valeu, em suma, a suma lójica do máximo consumo de hoje em dia? De uma bárbara marcha tecnológica e da fé cega na tecnologia. Há só um sentimento que é de dó e de malogro.
É fogo. É fogo!

Doce morada bela rica e única. Dilapidada só como se fosses a mina da fortuna econônima, a fonte eterna de energias fósseis. O que será, com mais alguns graus celsius, de um rio, uma baía ou um recife? Ou  um ilhéu ao léu clamando aos ceús se os mares subirem muito em tenerife? E dos sem água, o que será de cada súplica de cada rogo?
É fogo. É fogo!

Em tanta parte, do Ártico à Antártida, deixamos nossa marca no planeta. Aliviemos já a pior parte da tragédia anunciada com trombeta. O estrago vai ser pago pela gente toda.
É foda. É fogo.

É foda.

Lenine.

domingo, 7 de novembro de 2010

Vai ser assim.


Enquanto rirmos das mesmas coisas
e lembrarmos dos mesmos momentos.
Enquanto ainda houver planos
De você, mesmo com o passar dos anos
Sendo madrinha no meu casamento.

Enquanto eu chorar e precisar de você
Enquanto eu ligar e você me atender
Eu me queixar e fizer besteira
Você escutar, calada, a minha fala inteira
Então me criticar quando eu quiser elogio
Ainda parecendo estar tudo por um fio.

A distância vai gritar e vai fazer doer
Vai dizer “Não vou deixar” , “Ela não vai te ver!”
Lembraremos das brigas, do tempo sem nos falar
Pensaremos no que fica, no que nos fez durar.

Os caminhos serão diferentes
Talvez os planos não se realizem
Teremos trinta,  não mais quinze
E outros sonhos em nossas mentes

Mas, vai chegar o verão
Eu vou entrar no avião
E você vai me buscar.
Vai parecer que nada mudou
Que o tempo nunca passou
E que eu nunca saí de lá.

       Foram poucas horas pra eu te mostrar o meu mundo, o que eu estou vivendo. Eu queria que você ficasse e você queria muito que eu voltasse. Eu sabia que todo mundo ia te amar e o teu jeito doce ia fazer Brasília parar. E pra te deixar no avião aquela dor no coração, uma vontade de chorar. "O destino deve ter se enganado por irmãs não termos nascido", lembra? Deve ter cometido mesmo um baita de um engano. Minha casa está de portas abertas, e eu vou ficar esperando os bons ventos te trazerem de volta muitas e muitas outras vezes.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Era tudo mentira


Avisei que era tudo mentira.
Pré- anunciei meus passos em falso.
Fiz tudo com aviso prévio,
E você caminhando descalço.
Avisei que era tudo mentira:
Os arrepios no pé do pescoço
Os presentes cobertos de ilusão ,
Os orgasmos fingidos na noite,
E o pulsar de cada sensação.
Avisei que era tudo mentira,
Que a você nunca me entregaria.
E por mais que você tentasse,
Por mais que naquilo insistisse,
A barreira nunca cairia.
Avisei que era tudo mentira:
Meus beijos e meus telefonemas,
Meus prantos molhando seu peito.
E todos os meus eternos dilemas.
Avisei que era tudo mentira,
E rezava para que você acreditasse.
Mas que dura ironia da vida
É a mentira virando verdade.

domingo, 24 de outubro de 2010

A fortificação da Imagem do Herói Nacional.

Se fortifica a imagem de um herói nacional. Ovacionado na cena em que espanca sem pena um deputado corrupto, o agora Coronel Nascimento incorpora a indignação de cada um dos brasileiros que por horas se espanta ao se dar conta da dimensão da realidade que o filme nos mostra. Por mais incrível e revoltante que pareça, é de fato daquela forma que as coisas acontecem. Aqui, o nosso herói não se faz herói por conseguir "derrotar o sistema", (ele encontra-se longe de conseguir) mas por materializar o pensamento e a posição da população brasileira com relação a situação da política que nos rodeia. Não é só no Rio, não é só no BOPE. O "Sistema" está em todo lugar, e ai de quem ousar se voltar contra ele. 

domingo, 17 de outubro de 2010

Yeah, they rock!

The Big Bang Theory


Fazendo meu fim de semana mais feliz.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ao som de Los Hermanos

Pegando o jeitinho do traço de novo. (quando sobra um tempinho).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Maus Hábitos

  
        É que eu tenho esse vício incontrolável de fazer planos, sabe? Prevejo meus próximos 5 anos e fico frustrada ao me dar conta que não diz respeito só a mim. É tudo culpa dessa mania de contar o tempo, marcar datas na agenda e tomar o controle de tudo. É um pavor absurdo de perder esse controle, de ficar vulnerável ao destino. Foda-se o destino, quero tomar as rédias da minha própria vida. Não disseram que ela era minha? Já me avisaram que com 20 anos eu deveria estar por minha conta. Pois bem, deixem-me controlar tudo, então. Eu quero saber quanto tempo resta até eu mudar de cidade para poder planejar os lugares que ainda me restam visitar; quantos fins-de-semana sem filhos eu ainda terei, para fazer a tempo o que eu sei que não poderei fazer quando tive-los; em que ano serei contratada por aquela mega agência, assim eu posso escolher a duração dos cursos que devo fazer; à que horas você vai chegar aqui de surpresa com um buquê de flores nas mão para eu vestir aquele vestido e passar o perfume que você tanto gosta. Eu quero tudo sob controle, sob o MEU controle. Não quero ficar a mercê do tempo. É essa minha mania, sabe? Faz algum sentido pra você?

domingo, 10 de outubro de 2010

10.10.10


Tô aqui transformando o teu rascunho em arte final. Já que a minha cama continua bagunçada ao meio dia de domingo e os meus arquivos ainda estão todos jogados na área de trabalho. Eu sou o retrato da bagunça. O espelho eu já cobri com uma toalha e os livros de cima da mesa eu vou só afastar e achar um canto pra desenhar enquanto eu espero você tirar essa bermuda. Por que, hoje, eu quero você sério.

Leoni 04 Como Eu Quero

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A casa vazia.

     A casa vazia é que me assusta. Ninguém batendo as panelas ou aumentando o volume da televisão. O barulho mais humano vem da novela das seis passando na sala. São pessoas distantes que não respondem minhas perguntas nem comentam minha preguiça de subir as escadas e começar a estudar. A casa vazia é que me assusta. A conversa que sobe as escadas e entra em meu quarto de portas fechadas já não me incomoda mais. O silêncio e a casa vazia, sim, me assustam.

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma variável



Los Hermanos
     Eu gosto de filmes, bons filmes, pra mim. A crítica pode cair de elogios, se não prender a minha atenção ou não me tocar, pra mim não é bom. Gosto de música. Se eu estiver com vontade de balançar na rede ouvindo Djavan ou Luiza Possi, aquela música será boa pra mim naquele  Posso ir ao show de Exaltasamba, ouvir Paramore no caminho para a faculdade, assistir ao DVD da Ana Carolina, dançar aviões do forró, chorar com Adriana Calcanhoto ou dormir ao som de Caetano. Música tem que ter significado, sentimento, e as vezes lembrança. Cada uma adequada a um momento, segundo a minha vontade.


Luiza Possi

    Amo e sinto falta de dançar forró, do rosto colado e do "ralabucho"; sambo inconscientemente com o som do cavaco, e começo a mexer instantaneamente com a batida do funk. Dançaria gafieira, tango, zouk, e tudo mais, se soubesse. Desenho ouvindo música, leio tomando sol, assisto seriado no computador, escrevo dentro do ônibus, converso na bancada da cozinha.


     Não sou eclética por clichê, mas por que é realmente difícil definir um gosto engessado para mim. Confesso também que prefiro assim. Coisas novas surgem todos os dias e ficar preso a um estilo ou hábito é perda de tempo. Não acho que vou desfrutar mais ou melhor de algo se me dedicar unica e exclusivamente a ela. Essa intensidade se dá a medida que você se identifica com tal atividade. A diversidade é tão mais rica para se prender a exclusividades. Chato e previsível é ser invariável e inflexível. Prefiro ficar no ecletismo.


terça-feira, 21 de setembro de 2010

6 dias

     6 dias na terra de ventos quentes e úmidos. O lugar do mangue beat de Chico Cience, da Banda Eddie, do ritmo de Lenine, dos clipes de Mombojó, das poesias recitadas por Lirinha, de Suassuna, da areia branca da praia de Boa Viagem e das chuvas de verão que aliviam brevemente o calor. Casa de gente hospitaleira, espontânea, irriquieta, faladora e festeira. Onde moram meu pai, minha mãe, minha irmã e meus amigos de anos atrás. Ar com cheiro de maresia e sargaço que fica na pele como uma marca da certeza de que para essa terra seu filho sempre vai voltar.
     Vou deixar a secura da capital por 6 dias. E espero que quando eu volte o verde da grama esteja de fato verde, registrando a chegada das chuvas atrasadas de setembro. Que a chuva caia "de mansinho" como diria Gonzaga, sem assustar ninguém, para renovar as energias das árvores de troncos tortos e dos brasilienses de coração duro. Um alívio para os lábios, menos secos e mais convidativos ao beijo. 6 dias em Recife, 6 dias longe de Brasília. 6 dias de matar e sentir saudades.

domingo, 19 de setembro de 2010

Doces Lisbelas

Doces Lisbelas que somos nós, esperando que nossas vidas sejam roteiros perfeitos de comédias românticas e dramas americanos. Desde que a boneca perde a graça e os filmes e novelas passam a chamar mais atenção, viramos Lisbelas a espera da cena do beijo e do conflito superado pelo amor em um roteiro bem amarrado. Bonita inocência essa que deveria ser conservada salvando as devidas proporções. Sabendo que a declaração não precisa vir em inglês e cai muito bem no sotaque carregado de Leléu, ou de qualquer que seja o jeito pouco galante daquele que proferir a fala improvisada do seu próprio roteiro. Doces Lisbeslas que somos, ao nos darmos conta de que um filme é um filme e a realidade é bem diferente, mas não necessariamente pior, por vezes até melhor, à nossa própria maneira. Doces Lisbelas, doces, ingênuas e felizes Lisbelas.

 

Lisbela

Los Hermanos

Composição: Caetano Veloso e José Almino
 
Eu quero a sina de um artista de cinema
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
Um beijo imenso, onde eu possa me afogar
Eu quero ser o matador das cinco estrelas
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
A Patativa do Norte, eu quero a sorte
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
Pra me danar por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar
Pra me danar, por essa estrada, mundo afora, ir embora
Sem sair do meu lugar
Ser o primeiro, ser o rei, eu quero um sonho
Moça donzela, mulher, dama, ilusão
Na minha vida tudo vira brincadeira
A matinê verdadeira, domingo e televisão
Eu quero um beijo de cinema americano
Fechar os olhos fugir do perigo
Matar bandido, prender ladrão
A minha vida vai virar novela
Eu quero amor, eu quero amar
Eu quero o amor de Lisbela
Eu quero o mar e o sertão
Eu quero amor, eu quero amar
Eu quero o amor de Lisbela
Eu quero o mar e o sertão






Trilha (as melhores por mim)

"Você Não Me Ensinou a Te Esquecer" - Fernando Mendes - Interpretada por Caetano (tema de Lisbela e Leléu)
"O Amor é Filme" - Cordel do Fogo Encantado (tema final do filme)
"Espumas ao Vento" - Elza Soares (tema de Inaura e Frederico Evandro)
"Para o Diabo os Conselhos de Vocês" - Os Condenados
"A Dança das Borboletas" - Zé Ramalho e Sepultura (tema de Leléu)

domingo, 5 de setembro de 2010

O inesperado do ciclo repetitivo.


"Escovou os dentes e fez aquele coque improvisado no cabelo. Os restos de rímel nos cílios e a cabeça que latejava a cada passo que dava refletiam algo da noite anterior. O salto jogado no chão do quarto e o vestido pendurado na cadeira lhe traziam flashbacks alternados da silueta do moço. Silueta acentuada pelas luzes piscando cadenciadamente com a batida da música.  A pista de dança nunca esteve tão quente quanto naquela noite. As lembranças começaram a ficar mais claras conforme a água do café ia fervendo. Já era quase hora do almoço, mas e daí, ela só queria café. Não havia ninguém em casa naquele meio dia de domingo, e ela não precisaria explicar para ninguém o porquê do chegar ao amanhecer.   
O rosto que tomou conta da sua madrugada começava a ficar mais nítido. E as palavras que saiam daquela boca faziam cada vez mais sentido. As frases brotavam doces. Falava exatamente o que queria ouvir na noite de TPM que ela, por muita insistência das amigas, não passou em casa assistindo às piadas  do Zorra Total. Parecia que o rapaz havia analisado cada tópico do seu manual, possivelmente escrito em grego, o qual ninguém conseguira decifrar tão bem como ele. Lembrou então que, inconscientemente, ele sempre terminava por citar uma das suas atividades de rotina, desde a faculdade, do inglês,  até o horário em que chegava da academia nas terças-feiras. Eles dançaram sem insinuações, ou qualquer  “má intenção”, como ele deixara claro ao perceber o receio dela, resultado de experiências de baladas anteriores.
Ela nem queria sair de casa, nem tinha vontade de escovar os cabelos para ouvir estupidezes repetitivas as quais sabia de cor. Eram coleções de “posso te conhecer” e “Só vou embora se você me der um beijo” ao maior estilo dezessete anos que ela já não estava mais disposta a lidar, não naquela noite do seu ciclo. Assistiria a primeira comédia romântica que encontrasse nos sites de download, choraria a cada palavra bonita do mocinho, mas não teria que lidar com nenhuma cantada pouco criativa.  
Mas ela foi.  E naquela manhã desejava ter bebido apenas um drinque a menos para que não tivesse perdido nenhum detalhe, nem mesmo aqueles em que a realidade se misturava com o giro da pista de dança e das gargalhadas espontâneas que ele fazia brotar facilmente em seu rosto. Tomou um banho frio e deixou que as lembranças fossem se encaixando ao longo do dia, torcendo para que elas a levassem a um telefone, email ou página do facebook. Caso nada desse certo, a certeza da cidade pequena a fazia acreditar na possibilidade de encontrá-lo no próximo sábado, na mesma pista, talvez ao som da mesma música. Guardou as maquiagens espalhadas, tomou o remédio para as cólicas que viriam e sentou para procurar inutilmente uma boa programação na TV de domingo."

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quanto falta?


- Mãe, mas quanto falta para acabar o colégio?
- Ah, filha. Muito tempo ainda.
- Depois da primeira série, o quê que vem?
- A segunda.
- E depois?
- A terceira.
-Se a professora disse que os números são infinitos, as séries da escola também são?
- Não, filha. Um dia elas acabam sim. Mas você vai sempre estar estudando e procurando saber sempre mais...
     Lembrou-se do dia em que decidira pular tantas series da escola quantas fossem necessárias para que só lhe restasse tempo para brincar. Lembrou que correu eufórica para tentar descobrir quantas seriam as series a serem puladas. E lembrou também da resposta vaga da mãe. Com as pilhas de fotos nas mãos sentiu de novo o gosto que era só se preocupar em qual rua iria correr. Se na de baixo, de barro, onde podia riscar as marcas de barra bandeira ou na de cima, asfaltada, onde os patins corriam mais fáceis.
     Se fosse pensar de novo em quantas series faltavam para ter tempo suficiente para brincar, concluiria que faltava pouco, em relação à distante pré-escola na qual se encontrava naquele flashback. Estava agora na faculdade, aquela de que sua mãe falara que vinha depois da escola, e que não conseguira entender muito bem como funcionava. Parecia tão distante que havia desistido de se preocupar. Mas não tinha, também, parado para pensar que o tempo passaria demais, e já não poderia mais brincar com as suas bonecas preferidas. Não pensou que o tempo seria tanto que elas estariam velhas, talvez nas mãos de outras crianças, talvez esquecidas pelas caixas de mudança.
     O problema não seria ela própria estar crescida, não, isso era o de menos. O problema seria uns coleguinhas de rua morando em outra cidade, outros com filhos no colo. Ela brincaria, se não tivesse que procurar um emprego, comprar um carro, financiar um apartamento e planejar seu casamento. A escola até chegaria ao fim um dia, ao contrario do que sua mãe não soubera definir. Um dia ela não precisaria mais dizer presente na sala de aula ou fazer a avaliação final. Mas nesse dia, mesmo sem escola pra bater o sinal as sete da manha, ela não poderia mais brincar, não como brincara no tempo em que ia à escola.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um olhar e um registro.

     Dentre tantas as artes que me despertam o interesse, a fotografia entra para minha lista. Um olhar, um momento, um registro. Pequenos passos de um amadorismo que exprime paixão e humildade na expressão por meio da luz.

Trabalho final de Introdução à Fotografia, Professor Duda Bentes. Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília.

"Hoje é Domingo.

'Hoje é domingo/pede cachimbo
Cachimbo é de ouro/ bate no touro
O touro é valente / bate na gente
A gente é fraco / cai no buraco
O buraco é fundo / acabou-se o mundo.'
Parlenda de Autor desconhecido.

Baseado no Artigo XXIV da Declaração dos Direitos Humanos 'Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.'.
Toda pessoa tem direito ao lazer e a um momento de repouso. Todos estamos sujeitos as cobranças da vida, seja no trabalho, na escola, na faculdade ou mesmo dentro de casa. O momento do lazer revigora nossas energias, alimenta nossa alma para uma nova jornada, seja essa jornada de mais um mês, uma semana ou um ano. São poucos os que valorizam esse momento, que tem real noção da validade desses instantes na composição da sua felicidade. Exceto pelas crianças. Certo, talvez elas também não tenham a devida consciência, mas ninguém vive tão planamente o momento do lazer como a criança. Na verdade, vive tão bem que muitas vezes já não se sabe quando está estudando, lanchando ou tomando banho. Para ela, é tudo uma grande brincadeira. E um domingo de sol torna-se uma grande fantasia e papel em branco para desenhar intermináveis momentos de alegria, todos eles vividos intensamente na ingenuidade e inocência da infância."

Trilha
Mallu Magalhães - Make it easy(2)







segunda-feira, 30 de agosto de 2010

.

A minha mente cria discussões homéricas. Nelas eu consigo me alterar sem perder a postura, e as palavras fluem claras e coerentes segundo meus argumentos favoráveis. Eu não choro, nem minha voz treme. A garganta não tranca a passagem das palavras para fora da boca. Olhares piedosos e desculpas esfarrapadas não me abalam. Em minha imaginação a situação corre totalmente a meu favor. E me tenho por vencedora, segura. As brigas da minha mente são solucionadas no momento em que o conflito se estabelece. O rancor não se instala nem se multiplica, isolado e silencioso dentro de mim, alimentando-se dos meus bons momentos e surtos repentinos de alegria. Ele nem se quer germina. Eu sento, falo, gesticulo até, e todos me ouvem. Na minha mente, claro, na minha mente.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Multiplicidade.

          Somos muitos em um só. Eu não gosto do fato de ser diferente para pessoas diferentes, mas a realidade é que é muito difícil ser autêntico todo o tempo. Eu calo diante das opiniões retrógradas dos meus avós, sorrio com as piadas sem graça de alguns professores, sou educada com quem acho que não vale à pena. Pelo bom andamento das relações sociais, não ponho o dedo na cara, não chamo de estúpido e nem dou gargalhadas de desgraças alheias. É preciso ser muito corajoso para dizer sempre o que pensa, sem medo de julgamentos ou exclusão social (Espiral do silêncio, Teorias da Comunicação com Professor Martino). Alguns tiram essa coragem da internet. Blogs, vlogs e twitters são cheios de opiniões fervorosas. É como se o avatar da rede social desse-nos superpoderes e nos tornasse inatingíveis. Terminamos por despejar paixões e xingamentos, torcendo para que nosso chefe nunca leia ou que o amor da nossa vida escute. Ainda assim não acredito sermos totais verdades na rede. Assim como na vida não-virtual, prezamos por uma imagem que os outros fazem de nós. Vou à teoria de um amigo: somos personagens diferentes em lugares diferentes. Mãe, aluna, amiga, namorada. Cada um acentua uma qualidade ou esconde um defeito. Difícil é achar alguém com quem se possa ser cada vez menos personagem e cada vez mais realidade. Difícil, difícil.

sábado, 21 de agosto de 2010

Não vou nem falar...

http://www.carascomoeu.com.br/2010/08/pra-ser-sincero.html#more


      É o que eu tenho pra hoje, o que eu li e valeu a pena repassar. Não vou falar mais nada, antes que eu comece a praguejar a vida e mais alguém venha me dizer que meu twitter parece um “Muro das Lamentações”. Vou parar antes que eu diga que eu não vivo de alegrias plenamente e que se você só lembra das frases irritadas que eu falei é por que você tem focado nelas, daí não seria eu a negativa. Nem vou discutir pra não começar a falar que os últimos meses tem sido enlouquecedores, não só pelos ônibus quebrados, chances de reprovação e primeiro salário do projeto roubado da minha conta. Mas que apesar de tudo, eu ponho isso pra fora, e tenho quem me escute. Vou respirar e não vou dizer que se não quiser ouvir “coisas tristes” ligue a TV no canal Polishop e fique atento a todos os depoimentos. Nem vou falar que cabe a você decidir se dá unfollow, me manda fingir que tá tudo bem ou simplesmente senta e me deixa falar tudo que de ruim eu precisar. Fico até feliz se fizer o mais fácil e se afastar, poupar-me-á da seleção dos meus bons e poucos amigos, a eles eu retribuo com meus momentos felizes e meu ouvido paciente nos mesmos momentos de raiva pelos quais eu também passei. Não vou nem falar nada, vou só ficar calada. 



Soou irritado, eu sei.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Conto


Que virasse uma pizza, então.   

            "Suspirou exausta. Acenderia o cigarro típico dos filmes de Hollywood se fosse fumante.  Cobriu os seios com o lençol e pôs os braços por detrás da cabeça olhando para o teto. Era a primeira vez que levara alguém a seu apartamento que não seu namorado. Namorado que virara ex nos últimos seis meses. O rapaz que agora cochilava em sua cama não era um estranho, porem. Seria demais para sua mente conservadora. Ele não a abraçou carinhosamente, nem disse que era linda. Também não era o que ela desejava. Sentia, com remorso, que de tudo já estava satisfeita. E se pudesse, o transformaria em uma pizza ou um pote de sorvete que lhe seria mais útil naquele momento. Ao mesmo tempo em que julgava a si mesma pelos pensamentos que a levavam a tal atitude, perguntava-se por que, no auge dos seus independentes trinta anos, não poderia levar quem quisesse a sua cama para simples e pura satisfação própria? Sabia que dele não poderia esperar mais que aquela noite (e talvez mais outras sem compromisso) então pra que gastar seus mimos e pose de “boa moça”? A pose que deveria manter quando quisesse que o “bom partido” acreditasse na sua castidade fingida, até que passasse o tempo certo de ser livre sem que o rapaz tratasse-a como mais uma. 
              Naquela noite ela não estava disposta a privar-se de suas vontades para alimentar mais um teatro induzido contra a idéia da mulher fácil interpretada pelos homens. Cansada dos prejulgamentos machistas por exprimir seus desejos e sem medos de más interpretações, ela só queria relaxar. Pela primeira vez, em seu apartamento, queria o que lhe desse vontade. Pouco importava se ele não ligasse no dia seguinte. Talvez melhor que nem lembrasse. Pouparia de ter que agüentar o olhar do moço, aquele de quem deseja apenas as suas pernas torneadas em volta da cintura dele. Ela sabia que era muito mais que isso, só já não seria mais para ele.  Fez o que queria e, melhor então, que ele nem ligasse. Que virasse uma pizza, ali mesmo."

Em contraste com a mulher-pizza do Manual do Cafajeste.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A origem.

Eu não me atreveria a escrever uma crítica para esse filme, meu ínfimo conhecimento de cinema não chega aos pés da magnitude dele. Prefiro então me calar.





sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Metalinguística


Click to play


     Eu não sou boa atriz, cantora ou dançarina. Provavelmente também não serei diretora de cinema, apesar das aulas de oficina de interpretação. Quando me pergunto “por que eu escrevo?”, uma boa resposta seria “por que é o que me resta de expressão.”. Mas eu não reduziria a tão pouco. Escrever é muito mais do que uma ultima opção. Também não levaria como profissão, porem. Dificilmente eu conseguiria disciplinar meus surtos de inspiração a rotinas e pautas jornalísticas ou a prazos de editoras. Ela é livre, tem vida própria e não tem data nem horário fixo. Perdi as contas das vezes que levantei no meio da noite procurando uma caneta e um pedaço de papel. É tão geniosa (a inspiração) que não me deixa dormir enquanto não a deixo devidamente registrada.  Eu gosto sim de falar de mim. Não vejo como egocentrismo, narcisismo ou qualquer distúrbio psicológico. Eu acredito que todo mundo precisa de um tempo consigo mesmo. Nós vivemos em uma geração onde o status e a popularidade são medidos por números de seguidores no twitter ou amigos no Orkut. Expomos fotos de balada, viagens, recados e comentários. Qualquer introspecção é sinal de anormalidade, antisociabilidade ou coisa do tipo. Não concordo, não conhecemos nem a nós mesmos e classificamos os contatos do MSN por grupos e graus de afinidade. Conhecer-me é um dos motivos pelo qual eu escrevo. Ponho pra fora e traduzo aquilo que de mais forte pulsa dentro de mim no momento. Pra quem eu escrevo? Confesso que já escrevi para pessoas especificas. Esperava que elas entendessem minhas entrelinhas, mas não sabia exatamente que reação esperar. Hoje não sei. Não sei exatamente quantas pessoas me ouvem ou me lêem. E não espero tocá-las, mas fico feliz quando acontece. Sei que é um pedaço de mim que se propagou, que tomou dimensões nunca imaginadas. Uma parte que foi a lugares que eu talvez nunca conheça, mas que, de alguma forma, esteve lá. Escrevo por isso e para isso... E por outras coisas que provavelmente eu nunca saiba explicar.


Música: "Transatlantique", Beirut .

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Palavras para minha eternidade.

     No meu aniversário de 20 anos, o melhor presente e uma das mais belas homenagens que já recebi. Palavras de conforto que me fazem acreditar que nunca é tarde pra fazer novos e, melhor ainda, bons amigos. Onde quer que estejamos, existirão pessoas para nos confortar e nos acolher. São palavras para serem ouvidas duas, três, inifinitas vezes, palavras que me trarão paz nos momentos difíceis, alegrias nos momentos saudosos e boas lembranças daqui a alguns anos.
 
Presente da Iasminny.

domingo, 1 de agosto de 2010

@mihpessoa Convida. =P



Rafaela Ramos
Data: 27/07/2010
Música: Makes me wonder, Marron 5


@rafaaramos

      Crescemos juntas, entre barbies e playgrounds de prédio. Ela não devia ter saído de Recife enquanto eu estava lá. E thank god eu estar  no meio do caminho de todas as férias dela.

   

segunda-feira, 26 de julho de 2010

E se eu não souber mais rezar?


     É como toda aquela história que eu criava quando brincava de casinha. Acreditava que era a mãe dedicada e que meu filho doente seria curado pela competente doutora (às vezes minha irmã, outras minha prima). Era tudo tão real e eu depositava minha energia naquilo. Como na oração com as mãos fortemente grudadas: “Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador...” E a certeza de que aquelas palavras deixariam longe os monstros dos meus sonhos. Mas e se eu não souber mais rezar? Se aquela fé inocente e sem questionamentos não existir mais, como atender a esses sinais que me empurram de volta para uma fé há tanto tempo deixada pra trás? Uma crença abalada por imposições, aulas de história e dúvidas da idade; por caminhos adversos e críticas fortemente construídas para negar as missas de domingo com minha avó. Deixar de lado todos esses pensamentos e mergulhar de cabeça e olhos fechados de volta nesse mundo? Acho pouco provável da minha parte. “É o seu Deus, Mi” a Iasminny me falou esses dias. O meu? Se ele tem me olhando esse tempo todo, deve estar irrequieto sentando em sua cadeira, bolando estratégias mirabolantes para me chamar pra uma conversa séria. Deve ter muito a me falar. Talvez eu não saiba mais rezar, mas uma boa discussão com Ele, com certeza renderá.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Rito do matrimônio.

"(...) recebo-te por minha esposa a ti N., e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida."

     Prometo namorar-te por 8 ou 10 anos, seremos felizes nesse meio tempo. Prometo-te descobrirmo-nos juntos, nossas fraquezas, nossas forças e nossos defeitos. Prometo sim ser-te fiel, trocaremos alianças de compromisso, "namorandos" no orkut, e presentes criativos nos dias dos namorados e aniversários de namoro. Conhecerás minha família e dela tornar-te-ás parte. Apresentar-te-ei a meus amigos e juntos sairemos. Brigaremos por vezes, mas logo faremos as pazes. Pedir-te-ei em casamento, noivaremos. Prometo-te uma linda festa com belos álbuns e vídeos de recordação. Com declarações e homenagens inovadoras, publicaremos o nosso amor onde todos tomem dele conhecimento.  E prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida. Ou enquanto eu não descubra teus defeitos na convivência e com eles não saiba lidar, nosso amor e nosso sexo caiam na rotina e eu busque novidades fora de casa, eu sinta falta da saudade que sentíamos quando morávamos separados, meus momentos sozinho cheguem ao fim e eu não tenha nenhum momento de privacidade durante o casamento, nosso filhos tenham crescido e eu descubra que a única coisa que ainda nos mantinha juntos era a obrigação de criá-los dentro de uma família "normal".


Talvez eu queime minha língua com esse súbito de racionalismo mórbido. Mas ,infelizmente, é a conclusão a que as separações que me rodeia me fazem chegar.

domingo, 18 de julho de 2010

Nordestinos, Brasília e o trabalho de fotografia.

     Contraditóriamente, a música é do Móveis coloniais de Acaju, grupo fantástico daqui de Brasília que eu descobri depois que eu entrei na UnB.




     O video da Nicole que me fez ter esse súbito de postar mais um podcast, tornando-se dois em menos de 3 dias. Como a minha vergonha é maior que a dela, eu continuo na experiencia do podcast mesmo, minha carinha na câmera, por agora, não.

E o link de denúncia de uma das Comunidades estúpidas contra os nordestinos.

sábado, 17 de julho de 2010

Você não é daqui, né?

"Meu sotaque que me inibe."
Música:
Todas elas juntas num só ser. Lenine






O que eu não comentei: Meu sotaque pode ser a medida do meu grau de intimidade ou da raiva que estou sentindo no momento. É assim, a minha raiva é diretamente proporcional à intensidade do meu sotaque, ou seja, quanto mais "arretada" na voz, mais "arretada" em todo o resto.
;)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O que me espera nos próximos 20?


20 anos, duas décadas, 10 biênios, 240 meses ou como queiram. Segundo a língua inglesa deixo então a teenage. I have no teen anymore. Deixo a dita conflituosa adolescência para adentrar a vida adulta. Embora, forçadamente, tenha sido obrigada a traçar meu próprio destino e a ditar minha própria vontade um pouco mais cedo que isso. Que comece então o medo da idade, a busca por emprego, a poupança para compra do primeiro carro, o casamento dos amigos e o apadrinhamento dos seus filhos. Mas e o que ficou pra trás? Teria eu historia suficiente pra contar ao longo desses 20 anos? Acreditei em papai Noel, desci de tobogã, dancei em frente a platéia, fui campeã escolar pernambucana, fui expulsa de equipe, fui campeã na equipe rival. Fui perseguida virtualmente, me apaixonei e fui rejeitada, amei e também fui amada. Fiz amigos a cada ano, perdi alguns pelo caminho. Vi meus pais brigarem durante anos e finalmente se separarem. Deixei a cidade onde morei 16 anos, odiei Brasília, gostei de Brasília, não queiro mais sair de Brasília (por agora). Tive minha formatura do 3º ano cancelada, mudei de curso uma semana antes do vestibular, passei pra Publicidade na UnB. Tomei meu primeiro porre e fiz algumas besteiras. Não escrevi um livro, não plantei uma arvore, e não tive um filho. Mas foram só 20 anos, o que me espera nos próximos 20?

Dia 11 de julho de 2010 completo 20 anos nesse mundo louco.

sábado, 26 de junho de 2010

Apologia aos duráveis.

      Em um mundo onde, em cada vez menos tempo, o novo torna-se obsoleto, o lançamento vira queima de estoque e o high tech vira relíquia. Em que namoro vira ficada e casamento ganha tempo de namoro. Em um mundo onde o efêmero prevalece e o duradouro torna-se tedioso. Nesse mundo eu faço um apelo, uma apologia. Um clame aos bens e valores duráveis. Ao livro que mantem sua dedicatória ao viajar por diferentes sebos e leitores. Às ecobags que diminuem o numero de sacolas plásticas a sufocar as tartarugas em alto mar. Às canecas do tome consciência, que como em um trabalho de formiguinha, reduzem a produção de mais e mais copos plásticos. As garrafas retornáveis e princípios convictos, ao material reciclável e sentimentos fortes. Aos amores eternos e amizades incontestáveis, aqueles que não acabam junto com o fim dos interesses em comum.



      E mais. Não aquele que se põe inerte e inflexível com o tempo, mas ao que se adapta, renova-se e perdura sem sucumbir em meio à chuva de novidades. Um apelo não só aos duráveis, mas aos renováveis. Aos que se firmam e evoluem sem deixar resíduos poluentes ou corações partidos, sem buracos na camada de ozônio ou ressentimentos incuráveis. Uma apologia aos duráveis, que eles, assim, durem para sempre.
Picture by lipeehxD




terça-feira, 22 de junho de 2010

PodTest


1, 2, 3, testando. O cúmulo da loucura, sim, loucura. No dia mais louco de todos os dias loucos da minha historia da UnB, eu resolvo fazer um PodTest.. Linda minha voz, não. Quem sabe dá certo. Nada me surpreende mais ultimamente.